VISÃO PERFEITA


23/04/2008

Uma das áreas da medicina que mais se beneficiam das modernas tecnologias é a oftalmologia. A cada dia surgem novos equipamentos e procedimentos rotineiros são aperfeiçoados, garantindo aos médicos e pacientes resultados mais eficientes e duradouros. Os tratamentos que mais evoluem são os indicados para tratar doenças como miopia, astigmatismo, hipermetropia e catarata. Estas moléstias são as mais freqüentes entre a população adulta. A cirurgia para corrigir a miopia está entre as que mais se modernizaram. Há pouco tempo, o tratamento era padrão. “A cirurgia era feita com base apenas no grau de miopia do paciente. Não eram consideradas outras alterações na estrutura do olho. Por isso, nem todos se beneficiavam”, afirma a médica Ana Luisa Höfling-Lima, do departamento de oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Agora, as novas técnicas permitem que esses procedimentos sejam feitos de forma personalizada. “Um aparelho avalia e mede as modificações no sistema óptico e envia essas informações para o laser. Este equipamento dispara a energia levando em conta todas as alterações estruturais do olho do paciente”, explica a médica. “Essa técnica atende às necessidades individuais e, por isso, traz mais benefício”, diz Ana Luisa. A empresária Juliana Pellegrino, 23 anos, passou pela cirurgia e se livrou dos óculos e das lentes. “Finalmente posso decretar o fim da minha dependência desses recursos”, comemora. Mas os avanços não param por aí. No Instituto da Visão da Unifesp, por exemplo, está sendo aplicada uma terapia que usa a radioterapia intra-ocular para tratar a degeneração macular relacionada à idade. Esta é uma importante causa de cegueira em pessoas acima dos 55 anos. A doença se caracteriza pelo crescimento anormal de vasos na região da mácula – região sensível da retina responsável pela visão dos detalhes, formas e cores. O procedimento é feito a partir de uma microcirurgia para aplicação de radiação na lesão macular. “É uma técnica ainda em estudo, mas que tem se mostrado promissora”, afirma a médica Ana Luisa. Outras possibilidades estão sendo estudadas para tratar a ceratocone, doença que provoca afinamento e perda da rigidez da córnea. Isso causa distorções e embaçamento das imagens. A enfermidade é a principal causa de transplante de córnea no mundo. Os médicos estão aplicando uma luz ultravioleta em associação com a riboflavina (vitamina B2). “O método provoca uma ligação entre as fibras de colágeno dando firmeza ao tecido da córnea”, explica Ana Luisa. A médica ainda cita outra novidade para pacientes com histórico de rejeição ao transplante de córnea. Trata-se da colocação de lentes especiais que permitem a passagem do estímulo luminoso até a retina. A técnica está beneficiando indivíduos que tinham perdido a esperança de voltar a enxergar. Embora boa parte dessas doenças mais graves não seja curável, elas podem ser bem controladas se diagnosticadas cedo. É o caso do glaucoma, uma moléstia causada pelo aumento da pressão intra-ocular que leva a uma lesão no nervo óptico. A enfermidade, que nem sempre apresenta sintomas, é a segunda causa de cegueira e surge por volta dos 40 anos. “Uma das formas de diagnóstico é o exame de fundo de olho e a medição da pressão intra-ocular”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, de São Paulo. A boa noticia é que uma nova perspectiva de tratamento para o glaucoma começa a ser testada. Pesquisadores israelenses anunciaram a criação de uma cirurgia a laser, chamada de OTS134, menos agressiva do que a convencional. “O laser atua especificamente sobre a região lesada, com risco mínimo de provocar danos em outras partes do olho”, afirma o pesquisador Ehud Assia, professor da Universidade de Tel-Aviv. Porém, novas doenças preocupam os médicos. Os especialistas alertam para um problema ainda negligenciado, mas que tem grande impacto na qualidade de vida das pessoas. É a síndrome de visão de computador. “Ela atinge pessoas que passam horas em frente ao computador e provoca irritação, fadiga, coceira e cansaço nos olhos”, diz o oftalmologista Marcello Colombo Barboza, de Santos (SP). Segundo ele, a adoção de algumas medidas ajuda a reduzir esses danos. “Mantenha o monitor a uma distância de até 60 centímetros dos olhos, melhore a iluminação da sala e faça pausas, enquanto estiver usando o computador, a cada uma hora”, sugere o médico.



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