REMÉDIOS SERÃO RASTREADOS, EVITANDO A SONEGAÇÃO, COIBINDO O ROUBO DE CARGAS E A VENDA ILEGAL DE MEDICAMENTOS


05/05/2008

No Grupofarma o cliente tem uma rede de farmácias e drogarias com produtos de qualidade e segurança Todos os remédios brasileiros, dos simples antigripais até os tarja-preta, passarão a ser rastreados a partir do ano que vem. Começando na linha de produção das fábricas, passando pelos caminhões que levam aos distribuidores até o momento da venda no balcão das farmácias, o percurso das caixinhas será monitorado. Governo e fabricantes acreditam que, assim, terão um poderoso instrumento para controlar os medicamentos vendidos no país, evitando a sonegação, coibindo o roubo de cargas e a venda ilegal de medicamentos. O preço do rastreamento, porém, tende a ser diluído por toda a cadeia, desde o fabricante até o comprador, o que pode gerar custo para o consumidor. A decisão de rastrear os remédios foi tomada em março pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A consulta pública para a apresentação de críticas e sugestões sobre os requisitos mínimos para definir como será o monitoramento e autenticação dos remédios terminou ontem. O Brasil largou na frente e foi o primeiro país a discutir o tema, mas não está sozinho. Duas semanas depois do início da consulta pública local, a União Européia e os Estados Unidos lançaram ações semelhantes. “É uma tendência mundial e poderemos trabalhar com americanos e europeus nesse sistema”, diz Dirceu Raposo, presidente da Anvisa. A preocupação dos governos, da indústria e de entidades de defesa do consumidor e da ética é o crescimento exponencial dos crimes ligados aos medicamentos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), a informalidade no setor é alarmante. No Brasil, a sonegação é de 10% sobre o faturamento das empresas, o equivalente a US$ 1 bilhão. No mundo, 30% dos princípios ativos de remédios vendidos são falsificados. A incidência de medicamentos piratas no Brasil também aumenta, sendo a maioria originada do Sudeste da Ásia. Os números relativos ao roubo de cargas também assustam o setor. Por razões estratégicas, a indústria não revela o quanto perde com os assaltos, mas o presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus, tem um indicador da dimensão do problema. “As companhias seguradoras se negam a fazer seguro de carga farmacêutica se o transporte não for monitorado por satélite e seguido por escolta armada”, explica. O rastreamento deve ocorrer no Brasil com a inserção de algum tipo de instrumento nas embalagens (código de barras, de pontos, números ou chips) que identificará o medicamento e pode ser enviado via internet ou radiofreqüência para um computador central do fabricante, que vai armazenar os dados. A Anvisa terá acesso às informações sempre que achar necessário. Em 30 dias, a agência pretende analisar as sugestões apresentadas na consulta pública. Até o fim de abril, 57 contribuições haviam sido enviadas. A meta da Anvisa é implantar o sistema no primeiro semestre do ano que vem.



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