PORTAL DE VENDAS ON-LINE VIRA SAÍDA PARA DROGARIAS MENORES


08/10/2013

Portal de vendas on-line vira saída para drogarias menores

Seguindo o exemplo de algumas redes varejistas no e-commerce, que consolidam em um único portal uma grande gama de produtos para o público final, agora é a vez do mercado farmacêutico investir nessa modalidade para crescer. Para reunir pequenas e médias farmácias, o portal 3Farma, de responsabilidade do Grupo Entire TP, surge no mercado de drogarias como alternativa para as menores sustentarem alguma concorrência com as gigantes do setor.

O formato de consolidação de ofertas em um só site, também conhecido como marketplace, já existe há mais de dez anos no Brasil, e hoje conta com atuação de players como o Mercado Livre, Rakuten e Extra. No entanto, especialistas do setor apontam que este mercado ainda está longe de se igualar às tendências visíveis nos mercados estrangeiros. De olho nesse mercado em crescimento, o portal 3Farma, de responsabilidade do Grupo Entire TP, é considerado o primeiro da área de farmácias, e nasce para impulsionar as empresas menores. O diretor comercial do grupo, José Ricardo Ferreira, diz que o lançamento está previsto para o final do mês de julho, e que um dos focos são as redes que não dispõem de capital para investir em lojas virtuais. "Estamos dando maior ênfase às pequenas e médias farmácias. Oferecemos tecnologia para aqueles que não têm condições de contar com um projeto próprio, e ainda acabamos facilitando a vida do consumidor final".

De acordo com levantamento da assessoria financeira em fusões e aquisições Brasilpar, as cinco maiores redes farmacêuticas em atuação no País corresponderam a 29% do faturamento do mercado de 2012, que chegou a R$ 49,6 bilhões. José Ricardo Ferreira afirma que a ideia é integrar em um único endereço toda a cadeia produtiva. "O consumidor vai ter tudo que pode ser comercializado dentro de uma farmácia. Vamos prover um e-commerce para o ponto de venda, uma loja virtual, onde o varejista vai expor os produtos, os banners publicitários, as promoções e os convênios. E haverá uma comunicação não só com o cliente, mas também com indústrias e distribuidoras." Segundo Ferreira, em um primeiro momento, o 3Farma contará com 5 mil farmácias, 20 laboratórios e 100 distribuidores. O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 2 milhões. O diretor comercial ainda argumenta que o portal 3Farma oferecerá soluções fora do e-commerce, para consumidores mais tradicionais que não gostam de comprar produtos on-line. "O dono da farmácia vai ter controle das entregas, podendo se comunicar com o cliente sobre as demandas. Também disponibilizaremos em breve um aplicativo, em que é possível pesquisar qual o local mais próximo que vende determinado medicamento, ou encomendar produtos para que sejam entregues em algum endereço, no sistema delivery."

Para o presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), Maurício Salvador, a opção de empresas adotarem um único canal de vendas que conte com diversos fornecedores deve ser ainda mais visível nos próximos anos. "Acredito que há um boom de várias empresas se movimentando, é uma tendência mundial essa questão das lojas firmarem marketplaces. Um dos motivos é o aumento do tráfego de clientes para o site. Há um número maior de lojas, pois o sortimento de produtos é espalhado pelo mercado, rentabilizando esse tráfego." No entanto, o modelo de marketplace oferece riscos que exigem um cuidado maior das, como os custos com logística, em evidência principalmente após as novas medidas para o comércio eletrônico entrarem em vigor no dia 14 de maio. "Há um risco elevado, a empresa começa a trabalhar com diferentes fornecedores, diferentes prazos, diferentes velocidades de processamento. A chance de ter problemas com entregas é maior. Ainda que as redes informem o consumidor que o responsável é outra loja, na maioria das vezes, na percepção deles, é que se está comprando do marketplace. Além disso, há o problema da tributação: se varejista não fizer estudo tributário para atuar nesse setor, vai acabar pagando tributos quando faz a venda e também quando compra produto dos distribuidores."

Consolidados, O Rakuten Shopping, marketplace da multinacional japonesa no Brasil, oferece soluções para pequenas e médias empresas. Para Ricardo Jordão, diretor de marketing da empresa, o modelo de marketplace pode impedir o fracasso de varejistas menores no e-commerce, fato que tem se tornado cada vez mais frequente. "O comércio eletrônico atingiu um patamar hoje em que, se você quer vingar, tem que ser profissional, especialista, se modernizar. Para pequenas e médias, vai ficar difícil se manter sozinho. Um marketplace é uma resposta para ajudá-los a evoluir." Hoje, o Rakuten Shopping conta com 325 lojas e mais de dois milhões de produtos.



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