OS REMÉDIOS PARA EMAGRECER


07/07/2008

A decisão sobre usar ou não um remédio para emagrecer deve ser tomada sempre por um médico, baseando-se na avaliação cuidadosa dos benefícios e dos riscos envolvidos. Como já está bem comprovado que o excesso de peso pode trazer sérios problemas de saúde, na maior parte dos casos esta relação risco/benefício será extremamente favorável, desde que realmente a pessoa esteja obesa. Vale lembrar que muitas pessoas que procuram um médico para emagrecer estão dentro da faixa de peso considerada normal. Nestes casos, em que o problema se resume à estética, questiona-se a conveniência de usar remédios. Apesar de contarmos hoje com opções de medicamentos muito mais seguros que os antigos, não existem remédios sem riscos. As diretrizes recomendadas pelas principais entidades internacionais de obesidade são unânimes em recomendar o uso de remédios para pacientes com um IMC maior que 30 kg/m2 ou 25 kg/m2 com alguma doença associada, como diabetes, hipertensão ou colesterol alto. Situações especiais devem ser analisadas pelo médico. Por quanto tempo devem ser tomados? Para muitos casos admite-se hoje utilizar remédios até pela vida toda, se necessário. O problema é que os remédios atualmente disponíveis só foram testados em estudos com um máximo de dois anos de duração. Não se pode ter certeza sobre sua segurança quando usados por prazos mais longos. Deve-se ter em mente, também, que para muitas pessoas pode não ser necessário um prazo tão longo. Se for conseguida uma mudança de hábitos de vida durante um tratamento de seis meses com remédios, por exemplo, em muitos casos a medicação poderá ser interrompida sem que o paciente recupere o peso perdido. Como regra geral, parece razoável considerar-se um prazo mínimo de seis meses para que tais mudanças possam estar consolidadas. O que tem nas farmácias Anfetaminas Essa família inclui três principais substâncias vendidas por vários laboratórios farmacêuticos: anfepramona (Hipofagim, Inibex e Dualid), fenproporex (Inobesin, Lipomax) e mazindol (Diazinil, Dobesix). Agem no centro da fome controlando o apetite e são indicadas para obesos que não conseguiram emagrecer com dieta e exercício. Sibutramina Considerada mais moderna que a anfetamina, a sibutramina aumenta a saciedade, ou seja, você se satisfaz com menos comida. Funciona como se acionasse um botão no cérebro para reduzir a compulsão alimentar. Produz alguns efeitos colaterais - dor de cabeça, insônia, boca seca, agitação. Nas farmácias, Reductil e Plenty são os dois nomes mais conhecidos. Orlistat Diferentemente dos dois citados acima, essa substância não age no sistema nervoso e sim no intestino, fazendo com que o organismo absorva apenas 30% das gorduras ingeridas. Comercializado pelo nome Xenical, sua vantagem é não causar dependência. Entretanto, pode provocar crises de diarréia se a pessoa consumir grande volume de alimentos gordurosos. Como funcionam Os remédios mais usados atualmente em tratamento para emagrecer podem agir de três diferentes maneiras: inibindo o apetite, estimulando a saciedade ou bloqueando a absorção intestinal de gorduras. Os que inibem o apetite, chamados anorexígenos, são substâncias já usadas por várias décadas, antigamente conhecidos como “anfetaminas”. O inconveniente deste grupo é o risco de dependência. Por razões de segurança seu uso foi proibido nos países da Comunidade Européia. A tendência atual é utilizá-los apenas para os pacientes que não possam adquirir a sibutramina e o Orlistat ou que não consigam emagrecer com eles. Temos três substâncias deste grupo disponíveis no Brasil atualmente - a dietilpropiona (também chamada de anfepramona), o femproporex e o mazindol. O segundo grupo, dos sacietógenos, reúne os medicamentos que têm como principal mecanismo de ação o estímulo da sensação de saciedade. Isso pode parecer, à primeira vista, a mesma ação dos inibidores de apetite, mas, na prática, é bem diferente. Quem usa um inibidor de apetite freqüentemente pula refeições, simplesmente porque não sente nenhuma fome. Com os estimulantes da saciedade, a pessoa sente fome, mas, com uma menor quantidade de alimentos já fica satisfeita, parando de comer mais cedo. O principal representante deste grupo é a sibutramina, que pode apresentar uma segunda ação que ajuda no emagrecimento - o aumento do gasto energético. Outros possíveis sacietógenos são medicamentos utilizados como antidepressivos, como a fluoxetina e a sertralina. Atualmente não têm sido considerados agentes antiobesidade, apesar de reconhecer-se que podem ser úteis em algumas situações, como na obesidade associada à depressão ou à compulsão alimentar. O terceiro grupo é o dos inibidores da absorção de gordura, representados apenas pelo Orlistat. Sua ação consiste na inibição da absorção intestinal de cerca de 30% da gordura ingerida. Isto pode representar uma ajuda significativa se a pessoa conseguir controlar sua alimentação. Se comer demais, entretanto, a tendência é que não perca peso, porque os 30% de gorduras que deixam de ser absorvidos podem não representar uma deficiência calórica suficiente para levar ao emagrecimento. Qualquer que seja o mecanismo de ação dos remédios para emagrecer, já está bem comprovado que os resultados do tratamento são muito melhores quando se dá a devida ênfase à prática de atividades físicas e à melhora do hábito alimentar.



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