MERCADO DE CARTÕES DE CRÉDITO CRESCE 225% DESDE 2000


05/03/2008

Utilizar o cartão de crédito tem sido uma prática cada vez mais comum para os brasileiros. A crescente aceitação em compras do dia-a-dia tem favorecido a expansão desse meio de pagamento: já chega a 93 milhões o número de cartões de crédito em poder dos brasileiros. Em 2000, o montante estava em 28,6 milhões. Hoje é possível pagar o táxi, o jornal, o pedágio ou até mesmo um cafezinho com cartão de crédito. Além disso, nota-se nos últimos anos sua penetração em regiões fora do eixo Rio-São Paulo e nas classes de renda mais baixa. Levantamento feito pela Itaucard, a pedido do jornal Folha de S. Paulo, mostra que o número de transações com cartões de crédito saltou de 720 milhões em 2000 para 2,4 bilhões em 2007 - um aumento de 233%. O crescimento do montante transacionado acompanhou esse ritmo: de R$ 48,4 bilhões movimentados em 2000, chegou-se a R$ 183,1 bilhões no ano passado. Apesar de a região Sudeste seguir como a de maior destaque dentro da indústria de cartões, com 56,5% de participação no faturamento nacional em 2007, sua relevância tem diminuído. Em 2003, representava 63,1% do total. Na outra ponta, quem ganhou mais destaque foi o Nordeste, que saiu de 18,7% de participação em 2003 para 22,4% no ano passado. "Notamos o consumidor trazendo cada vez mais o cartão para seu dia-a-dia. Mais do que o faturamento, tem crescido muito o número de transações", afirma Fernando Chacon, diretor de Marketing de Cartões do Itaú. "Temos visto também uma penetração maior na baixa renda." Enquanto o mercado de cartões se expande, a utilização de cheques rapidamente encolhe. Os 2,63 bilhões de cheques compensados em 2000 caíram para 1,53 bilhão em 2007. Entre as duas datas, houve redução no número de cheques em todos os anos. A maior popularização do cartão fez o gasto médio por operação cair nos últimos anos. De um tíquete médio (valor de cada transação) de R$ 79 em 2003, registraram-se R$ 76,3 em média no ano passado. Ou seja, os consumidores estão usando mais o cartão de crédito, mas realizando operações de menor valor. "A indústria de plásticos tem um universo enorme para crescer. Ainda há muito estabelecimento pequeno que não aceita cartão, principalmente devido aos custos. Também há muita gente que ainda não passou a usar o cartão em suas despesas rotineiras", afirma Luis Miguel Santacreu, analista financeiro da consultoria Austin Rating. "Na época da inflação, o cheque era muito mais usado. O pré-datado fazia parte da vida de muita gente." Mulheres à frente De 2003 para 2007, as mulheres passaram a deter a parcela maior do mercado de cartões, saindo de 47,2% para 50,8% do total no período. E o tíquete médio dos cartões utilizado por elas é menor que o dos homens. No ano passado, o tíquete médio das compras das mulheres ficou em R$ 73,3, e o dos homens ficou em R$ 78,9. O número de transações feitas pelas mulheres com cartão subiu de 513,1 milhões em 2003 para 1,14 bilhão no ano passado. Segundo Chacon, do Itaú, nas famílias de menor renda, "é normal que a mulher seja a responsável pelo orçamento e pelas compras. Normalmente, ela é a gestora e fica com o cartão". O executivo diz que nas famílias de menor renda acontece, muitas vezes, de haver só um cartão para todos. Já na alta renda, é normal uma pessoa ter mais de um cartão de crédito. Uma modalidade que tem ganhado cada vez mais espaço, especialmente na baixa renda, é a de parcelamento sem juros. A participação dessa modalidade subiu na baixa renda de 31,8% do total em 2003 para 52,5% das operações no ano passado. O parcelamento sem juros surgiu há dez anos e tem se mostrado atrativo na conquista de novos usuários para o cartão. Para os comerciantes, nem sempre essa modalidade é interessante, pois pode representar a necessidade de arcar com encargos que seriam cobertos em uma operação em que pudesse cobrar juros.



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