LADRÕES DE CARGA MIRAM MEDICAMENTOS DE TARJA PRETA


17/06/2008

Os remédios controlados, chamados de tarja preta, são os mais visados pelos ladrões de carga de medicamentos, que tem levado muitas farmácias a fecharem as portas no mercado mineiro. No ranking elaborado pelo Estado de Minas, dos 20 remédios mais roubados de janeiro a maio deste ano, cinco são antidepressivos, quatro são antibióticos, três antiinflamatórios e três calmantes ou sedativos. O levantamento foi feito a partir do cruzamento de dados dos 19 laboratórios que denunciaram a ocorrência de roubo de lotes de medicamentos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A ação dos bandidos representa prejuízo anual acima de R$ 1 bilhão no país e R$ 60 milhões em Minas. O consumidor é a grande vítima do golpe, pois acaba comprando produto sem nota fiscal, desconhecendo a sua procedência e as condições de armazenagem e transporte. Os preços altos dos remédios controlados são o principal atrativo para os oportunistas, que têm a chance de ter um enorme ganho com uma única ocorrência, já que um único contêiner carrega milhares e milhares de medicamentos. Para se ter uma idéia, em uma das ocorrências feitas pelo laboratório Eurofarma na Anvisa, um único lote do antibiótico Azitromicina, roubado em maio, correspondia a nada menos que 7,2 mil caixas do remédio. Outro exemplo ocorreu em março, em uma das ocorrências do laboratório Novartis, em que consta o roubo de vários lotes do antiinflamatório Cataflam, sendo que um único deles correspondia a 4,3 mil caixas do medicamento. Alguns remédios que figuram no ranking dos mais visados constam na lista dos mais vendidos do país. É o caso do Paracetamol, mais conhecido com seu nome comercial, Tylenol, que é o quinto mais comercializado no país, segundo dados da consultoria IMS Health de janeiro de 2008, e é o 10º remédio mais roubado. Outro que aparece em ambas as listas é o Valsartana, conhecido como Diovan, que é o oitavo mais vendido no mercado brasileiro e também o 14º medicamento com maior incidência de roubo. O Viagra, quarto remédio mais vendido no país, não aparece na lista dos mais roubados, mas é o mais freqüente nas ocorrências de roubo registradas por seu fabricante, o laboratório Pfizer. O seu maior concorrente, o Cialis, que é vice-campeão de vendas no Brasil, também é um dos alvos do roubo de carga do laboratório Eli Lilly do Brasil, que o produz. Nenhum tipo de remédio ou produto vendido nas farmácias, porém, escapa à ação dos bandidos. Há casos curiosos, como o roubo do Clearblue, teste de gravidez, do laboratório Novartis, de vacina contra varicela do Glaxo Smith, de válvula de stent (usada em cirurgias cardíacas) do Boston Cientific do Brasil, e até de filtro solar da marca Photoderm Biopat, fabricado pelo Eurofarma, e xampu anticaspa Clear, do Neo-Química. No registro de roubo de carga de medicamentos junto à Anvisa, o laboratório Eurofarma é o que mais sofreu com a ação dos bandidos nos primeiros cinco meses deste ano. O laboratório registrou seis ocorrências na Anvisa, duas inclusive no mesmo mês, em março. Na vice-liderança do ranking negro, aparece o Novartis Biociências S.A., com quatro ocorrências. O Pfizer, o Sanofi Aventis e o Cristália registraram três ocorrências e o Eli Lilly duas ocorrências. Os outros 13 tiveram registro de apenas uma ocorrência.



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