HOSPITAL DAS CLÍNICAS TEM 253 PESSOAS NA FILA PARA MUDANÇAS DE SEXO


16/06/2008

A fila para cirurgia de mudança de sexo não pára de crescer em São Paulo. Apenas no Hospital das Clínicas há 253 transexuais inscritos - nascidos, em sua maioria, com órgão genital masculino e que se identificam com o sexo feminino. Outros 70 encontram-se em tratamento hormonal e psicológico. Como a espera é longa - no mínimo quatro anos -, muitos desistem no caminho ou procuram clínicas particulares no Brasil e no exterior. O anúncio feito pelo Ministério da Saúde de que a cirurgia será realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter experimental, em hospitais-escolas de São Paulo, Rio e Minas, trouxe um fio de esperança aos transexuais que não têm dinheiro para o tratamento. Mas especialistas já advertem que o programa corre sério risco de não sair do papel porque não há equipes médicas especializadas para atender a demanda. Para se ter uma idéia, o Hospital da Clínicas, que implantou o programa em 1998, realizou até hoje só 23 cirurgias. - Falta interesse dos profissionais porque ainda não há regulamentação. O procedimento tem autorização apenas do Conselho Federal de Medicina - comenta a endocrinologista Elaine Maria Frade Costa, chefe do Laboratório de Hormônios e Genética Molecular do HC. Na equipe dela atuam três psicólogos, um psiquiatra, uma fonoaudióloga e dois cirurgiões - um plástico e outro urologista. O médico Jalma Jurado, de 71 anos, que contabiliza em seu currículo mais de 500 cirurgias de mudança de sexo, não está confiante no programa. - Uma coisa é o governo autorizar, e outra é destinar a verba para a implantação. Se não houver dinheiro, os hospitais conveniados não vão querer fazer. Jurado afirma que os médicos são preconceituosos, como a maioria dos brasileiros, e demoram para entender a importância dessa cirurgia. O presidente da Associação da Parada Gay, Alexandre Santos, o Xande, afirma que transexuais femininos - os que nasceram com sexo de mulher mas se sentem homens -, como ele, acabam sendo os mais prejudicados porque a cirurgia é de altíssima complexidade. - A maioria quer retirar seios, útero, ovário e trompas. Mas o SUS não cobre apenas esses procedimentos - lamenta Xande, referindo-se ao fato de o programa só prever a operação completa. No Brasil, a cirurgia para casos como o dele é proibida fora de hospitais-escolas



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