Hábitos alimentares inadequados, o sedentarismo e o tabagismo estão fazendo o exército de diabéticos aumentar em proporções epidêmicas no Brasil.


02/07/2014

O número de pessoas que têm a doença no país já supera, inclusive, as previsões feitas há dois anos para 2030, quando se esperava existir 12,7 milhões de diabéticos. Em 2010, o total de doentes era de 7,6 milhões. Em três anos, pulou para 13,4 milhões, sendo 90% deles com a forma adquirida da moléstia, o chamado diabetes tipo 2 – que tem relação direta com o estilo de vida. O desconhecimento sobre as formas de detectar a doença é generalizado entre os brasileiros. A pesquisa “Diabetes: mude seus hábitos” indica que 23% dos brasileiros nunca fizeram algum teste na vida para o diagnóstico da doença. E ainda persistem inúmeras dúvidas sobre os mecanismos e os diferentes tipos de diabetes. A endocrinologista e gerente médica da Novo Nordisk, Dra. Mariana Narbot Ermetice, tira aqui as dúvidas mais frequentes dos pacientes nos consultórios.

1 - O açúcar é a principal causa do diabetes. MITO. Este é um dos grandes mitos sobre a doença. O excesso de açúcar na dieta não é o único e grande vilão. O consumo exagerado de gorduras, por exemplo, também contribui para o ganho de peso, que é um dos fatores que aumenta o risco de se desenvolver o diabetes tipo 2, assim como o sedentarismo. Juntas, alimentação inadequada e falta de atividade física levam à maior possibilidade de desenvolver diabetes tipo 2. Além disso, o diabetes do tipo 2 é uma doença multifatorial, ou seja, fatores genéticos e ambientais (estilo de vida) se somam para que a doença se instale. Por isso, quem tem parentes de primeiro grau com a doença é mais suscetível a desenvolvê-la.

Diabetes tipo 1 Na maioria dos casos trata-se de uma doença autoimune, caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. A insulina é essencial para que a glicose presente no sangue seja utilizada pelo organismo. O diabetes tipo 1 é geralmente diagnosticado ainda na infância ou adolescência.

2 - O paciente de diabetes 2 pode se tornar um diabético tipo 1. MITO. Existem tipos diferentes de diabetes, tendo em comum a elevação da glicose na circulação sanguínea. Os dois principais tipos de diabetes são o diabetes tipo 1, que é dependente de insulina injetável, e o diabetes tipo 2, descritos abaixo. Os motivos pelos quais a taxa de açúcar se eleva nessas duas formas distintas de diabetes diferem, bem como a faixa etária que acometem, a velocidade de instalação da doença (abrupta ou insidiosa), a presença ou não de sintomas ao diagnóstico e a interferência de fatores ambientais/estilo de vida para a sua instalação, entre outros fatores. Mas é fato que um paciente com diabetes tipo 2 pode vir a necessitar de insulina numa fase mais avançada da doença.

Diabetes tipo 2 É o mais comum e corresponde a 90% dos casos. Ocorre por dois fatores: - Inexistência ou insuficiência de insulina - Resistência à insulina nas células. É preciso reforçar o conceito mencionado acima: alguns hábitos podem aumentar o risco de desenvolver o diabetes tipo 2, como a obesidade, sedentarismo, tabagismo e má alimentação, fatores completamente controláveis. Cerca de 50% dos portadores de diabetes tipo 2 não sabem de sua condição, justamente pelos poucos sintomas que apresentam no início da doença. Mais tarde, os principais sintomas são: sede, aumento do volume de urina e frequência, fome excessiva, visão turva, fraqueza e perda de peso.

Outra forma importante é o diabetes gestacional, que, como o diabetes do tipo 2, pode ser prevenido:

Diabetes Gestacional Assim chamado quando a elevação na taxa de glicose no sangue é observada pela primeira vez durante a gravidez. Na maioria dos casos, essa taxa se normaliza após o parto, mas é importante saber que as mulheres que apresentam diabetes gestacional possuem um risco maior de desenvolver diabetes tipo 2 futuramente.

3 - O diabetes não tem cura. VERDADE. O diabetes não tem cura, mas é possível controlá-lo e ter uma excelente qualidade de vida, sem qualquer limitação, desde que diagnosticado e tratado adequadamente o mais precocemente possível. Destaca-se que o tratamento para o diabetes evoluiu significativamente nos últimos anos, tanto no que se refere aos medicamentos orais quanto com relação às insulinas disponíveis. No caso do tipo 2, pode-se optar por medicamentos orais, dependendo da progressão e gravidade da doença. Já o diabetes tipo 1 sempre requer o uso de insulinas. A evolução da terapia com insulina trouxe várias melhorias, como a diminuição dos efeitos colaterais, necessidade de um número menor de aplicações ao dia, além de formas de aplicação que possibilitam praticidade, maior precisão e mais conforto para o paciente, como é o caso das canetas para aplicação, disponíveis no mercado.

4 - O paciente com diabetes consegue ter uma vida normal. VERDADE. Os tratamentos para o diabetes evoluíram muito. Na terapia ideal para o tratamento do diabetes o objetivo é atingir o melhor controle glicêmico, com o menor risco de hipoglicemia – isto é, queda dos níveis mínimos de glicemia. Além desse controle, é essencial observar as eventuais doenças concomitantes e tratá-las: obesidade, hipertensão e dislipidemia (níveis elevados ou anormais de lipídios). A conscientização dos pacientes em relação aos hábitos saudáveis, como boa alimentação e atividade física frequente, além de educá-los quanto à necessidade de aderir ao tratamento medicamentoso, é imprescindível para um bom resultado.

5 - O tratamento do diabetes tipo 2 pode vir a requerer o uso de insulina. VERDADE. Logo após o diagnóstico, o paciente diabético tipo 2 geralmente tem ainda alguma produção de insulina – por isso, a preferência é pela melhora da ação desta, ou seja, diminuir a resistência à insulina e estimular a secreção, de acordo com a necessidade. Conforme a doença progride, pode ser necessária a introdução de insulina em vários esquemas diferentes para que se atinja a meta ideal de controle glicêmico. Já o diabetes tipo 1 deve sempre ser tratado com insulina, preferencialmente no esquema de insulinoterapia intensiva chamado de basal-bolus, no qual dois tipos diferentes de insulina são administrados: uma insulina basal, para cobrir a necessidade de insulina em jejum e entre as refeições, e outra insulina, chamada de prandial, para manter a glicemia dentro dos níveis desejados após a alimentação, aplicada em cada refeição.

HIPOGLICEMIA: QUANDO FALTA AÇÚCAR NO SANGUE Hipoglicemia é uma diminuição no nível de glicose no sangue – “pouco açúcar no sangue”. A hipoglicemia pode ocorrer com mais frequência em pacientes que tem diabetes e necessitam de aplicação de insulina ou utilizam alguns medicamentos orais como as sulfonilureias. Os principais sintomas são: suor excessivo, palpitações, tremores, confusão, sonolência, falta de coordenação, náuseas e dor de cabeça.



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