Glaucoma - O jeito certo de prevenir, detectar e tratar


12/11/2014

Glaucoma – uma doença de alcance global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para mais de 65 milhões portadores da doença no mundo. A doença atinge 1 milhão de brasileiros, é apontada como a maior causa de cegueira definitiva no país e vem se agravando por conta do estilo de vida e falta de informação da população. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Dr. Leôncio Queiroz Neto, o glaucoma é uma doença crônica que acompanha a pessoa para o resto da vida. Mas, detectada precocemente, em exames oftalmológicos de rotina, pode ser tratada com sucesso, evitando-se a cegueira. O uso correto dos colírios também é fundamental para a manutenção da visão – como ele explica aqui.

Em 90% dos casos, o glaucoma tem a ver com o aumento da pressão intraocular. Isso acontece por um bloqueio ao humor aquoso, fluido que circula na parte posterior do globo ocular. Como nosso olho é um órgão fechado, comenta o Dr. Leôncio, esse fluido não extravasa e, por isso, a pressão interna fica acima do nível normal, que é de 21mmhg (milímetros de mercúrio). Resultado: as células do nervo óptico sofrem danos irrecuperáveis que impedem a transmissão das imagens ao cérebro e diminuem o campo visual até a cegueira definitiva. O problema é que o glaucoma não apresenta sintomas. Por isso, mais da metade dos portadores nem desconfia ter a doença e já chega à primeira consulta com perda do campo visual.

Grupos de risco Segundo o Dr. Queiroz Neto, estes são os grupos de maior risco para desenvolver glaucoma:

• Pessoas com mais de 45 anos

• Portadores de mais de seis graus de miopia.

• Quem tem parentes próximos com glaucoma.

• Descendentes de negros e asiáticos.

• Pessoas expostas a traumas oculares no dia a dia.

• Pessoas que fazem uso prolongado de pílula anticoncepcional ou corticoides.

• Portadores de diabetes.

Tratamento em 45% dos casos

Para piorar, um estudo conduzido pelo Dr. Queiroz Neto com 184 pacientes diagnosticados com glaucoma mostra que 45% não fazem o tratamento corretamente. Nesse grupo, 52% desperdiçaram colírio pingando mais que uma gota, 24% instilaram o colírio fora da mucosa ocular, 13% se esqueceram de usar e 11% usaram de forma descontínua por causa dos efeitos adversos. Segundo o especialista, pingar mais que uma gota dos colírios aumenta a absorção pelo organismo podendo, ocorrer sintomas como aumento da pressão arterial, secreção gástrica, inflamação, dor de cabeça e falta de ar. Esses efeitos podem ser reduzidos com a instilação correta do colírio. Em muitos casos, seu uso é combinado com medicamentos administrados por via oral – principalmente para retardar a produção do humor aquoso e diminuir a pressão intraocular. Como esses medicamentos podem vir a apresentar alguns efeitos colaterais, como dor de cabeça, sonolência e perda de apetite, é sempre importante que os demais especialistas que tratam a saúde do paciente sejam devidamente informados sobre o assunto. Vale ressaltar que o sucesso do tratamento depende em grande medida da disciplina do paciente. Se o paciente para de usar a medicação, os níveis de pressão intraocular voltam a subir e a doença continua progredindo. O mais importante é o uso correto e continuo dos colírios. A hora de pingar o colírio deve entrar na rotina do dia, ser um hábito.

As principais recomendações do especialista para garantir o tratamento adequado são:

• Lave as mãos antes de aplicar o colírio.

• Verifique no frasco se é recomendado agitar o produto antes de usar.

• Incline a cabeça para trás.

• Flexione a pálpebra inferior com o indicador.

• Com a outra mão segure o dosador

• Coloque o medicamento sem relar no bico dosado, evitando a contaminação.

• Pressione com o polegar o canto interno do olho para reduzir efeitos colaterais

• Feche os olhos por 3 minutos para garantir o efeito

• Se usar lentes de contato retire-as antes da aplicação

• Recoloque as lentes de contato depois de 10 minutos da aplicação

• Em caso de prescrição de mais de um colírio aguarde 15 minutos entre um e outro.

Atividades físicas contra o glaucoma:

Além do check-up oftalmológico e do modo correto de aplicar os colírios que estabilizam a doença, há uma novidade. Segundo o Dr. Queiroz Neto, estudos internacionais recentes sugerem que atividades aeróbicas, como correr, nadar, caminhar ou pedalar, funcionam como coadjuvantes no tratamento porque ajudam a manter sob controle a pressão intraocular. Mas a recomendação dessas pesquisas é fazer, pelo menos, 150 minutos de exercícios por semana. Por outro lado, exercícios anaeróbicos, como musculação ou qualquer outra atividade que utilize a força para ganhar massa muscular, bem como esportes de impacto e posições da ioga em que a cabeça é mantida para baixo, devem ser evitados por quem sofre de glaucoma - porque podem agravar a doença, facilitando o aumento da pressão interna do olho.

Tratamentos alternativos:

O especialista explica que um tratamento alternativo para controlar a pressão intraocular é a aplicação de laser acima do ponto de drenagem, visando facilitar a passagem do humor aquoso. Em 50% dos casos o procedimento libera o paciente do uso contínuo de colírio. Para a outra metade dos pacientes, apenas ajuda a manter a pressão intraocular abaixo de 22 mmHg, exigindo, portanto o uso de colírio. Já para pessoas com pressão interna do olho muito elevada e de difícil controle, é indicada a trabeculotomia. “Nessa cirurgia, retiramos uma pequena porção da malha trabecular para melhorar a drenagem”, explica o Dr. Queiroz Neto. Mais complexa do que a aplicação do laser, a recuperação visual após essa cirurgia pode demorar algumas semanas – e um em cada três pacientes desenvolve catarata.

Acesso à medicação gratuita:

Para quem tem dificuldade financeira de manter o tratamento, a alternativa são as farmácias de alto custo que, desde 2007, incluíram os medicamentos orais e colírios para glaucoma na listagem de fármacos distribuídos gratuitamente à população. A liberação demora de 14 a 45 dias. Para ter acesso é necessário apresentar cópia do CSN (Cartão Nacional de Saúde), que pode ser retirado no centro de saúde mais próxima da residência do requerente, laudo preenchido pelo médico, receita em duas vias, termo de consentimento do paciente, cópias do RG, CPF e comprovante de residência. O programa "Aqui tem farmácia popular" do Ministério da Saúde também disponibiliza colírios para glaucoma subsidiados pelo governo federal, que saem por preços bastante acessíveis. Nesse caso, é necessário ir pessoalmente até uma farmácia credenciada, fazer o cadastro no programa e apresentar a receita. Todas as grandes redes fazem parte deste programa.



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