FARMÁCIAS VOLTARÃO A MEDIR PRESSÃO ARTERIAL A PARTIR DO 2º SEMESTRE


30/04/2008

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a ser publicada no começo do segundo semestre, fará com que as farmácias desenvolvam ações de promoção, proteção e recuperação à saúde. Ela prevê, por exemplo, que os estabelecimentos voltem a fazer medição e monitoramento de pressão arterial. A informação foi prestada, recentemente, pelo diretor-presidente da agência, Dirceu Raposo de Mello, que esteve em Bauru (SP) onde discutiu estratégias para coibir serviços não referentes à saúde nas farmácias. O encontro foi promovido pelo Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, na Universidade do Sagrado Coração (USC). “Hoje, a farmácia tem um apelo comercial muito forte. Por que é ruim? Porque deixa de fazer trabalho de atenção à saúde, que é o propósito dela”, diz Mello, ao referir-se aos estabelecimentos que vendem alimentos, guloseimas e até bebidas alcoólicas. Para ele, a medida banaliza o comércio farmacêutico, sendo que o medicamento deve ser encarado como produto diferenciado. Ao fechar o cerco às farmácias que teriam se distanciado de seu papel social e sanitário, a Anvisa quer que elas agreguem valor ao trabalho de saúde. A mesma resolução, que contempla as duas vertentes, também prevê que clientes procurem os estabelecimentos para fazer inalação e nebulização a partir de prescrição médica. Outros serviços prestados são acompanhamento farmacoterapêutico, aplicações subcutâneas, intramusculares ou intradérmica de medicamentos injetáveis, medição de temperatura corporal, além da medição e monitoramento da glicemia capilar. “A gente quer que a farmácia não simplesmente deixe de comercializar o sorvete, a cachaça, daqui a pouco o morango e também a alface. Queremos que ela deixe de fazer isso e agregue valor à saúde. Ela pode ser uma grande aliada do poder público e da população para tratar de uma doença prevalente, uma endemia na região”, acrescenta Mello, que também é farmacêutico bioquímico. Se isso acontecer, os estabelecimentos atuarão mais fortemente como pontos de orientação, em casos como o da leishmaniose. “Acredito que o trabalho à saúde substitua o viés comercial porque é muito mais fácil agregar valor e fidelizar cliente com prestação de serviço à saúde do que com a venda de um refrigerante, algo que qualquer supermercado pode vender”, conclui Fábio Henrique Valentim, diretor regional do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, seccional Bauru. Liminares Muitos proprietários de farmácias recorrem à Justiça para, por meio de liminar, continuar vendendo produtos alheios aos medicamentos. Frente à estratégia, cabe à Anvisa recorrer, informa o diretor-presidente do órgão, Dirceu Raposo de Mello. “Mas isso está mudando no Brasil. Tenho visto farmácias que poderiam optar por esse caminho, mas não o fazem porque têm respeito na comunidade. Nós estamos trabalhando numa legislação mais rigorosa, até porque este tipo de comércio é inadequado, indevido e não tem amparo legal sob a nossa perspectiva, apesar de muitos juízes concederem liminares”, afirma. Ambiente adequado Deixar o viés comercial e adotar mais enfaticamente o trabalho voltado à saúde não basta. Para funcionar como ponto de orientação à saúde, as farmácias também terão de oferecer ao cliente um ambiente adequado. “Sou favorável que seja aferida a pressão arterial. Só que não pode fazer isso com o paciente em pé, na porta, entre a geladeira do sorvete e o da cerveja. Tem também que dizer claramente que aquilo não é uma consulta médica. Deixar claro para o profissional e seus auxiliares que eles não podem indicar medicamento. Isso tudo se faz qualificando e normatizando o serviço”, acrescenta o diretor-presidente da Anvisa. Segundo ele, atualmente o Brasil conta com 72 mil farmácias, o que seria um exagero até para a Organização Mundial de Saúde. Por conta disso, é alto - no País - o índice de automedicação e indicação inadequada de medicamentos, informa. A conseqüência seria a intoxicação. “Hoje, no Brasil, a principal causa de intoxicação é medicamento. A segunda causa de morte por intoxicação é por medicamento. A primeira sabe qual é? Agrotóxico. Só tem uma diferença: na caixa do agrotóxico tem uma caveirinha. Na caixa do medicamento não tem caveirinha e mata quase tanto quanto o agrotóxico”, conclui Mello.



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