CONSUMIDOR PAGA CARO EM LIGAÇÃO PARA CIDADE VIZINHA


22/04/2008

Em alguns casos, usar o celular é mais barato que ligar do telefone fixo Cerca de 20 quilômetros separam Vespasiano e Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Mas as contas de telefone dos moradores das duas cidades têm distância muito maior. Quem mora em Vespasiano paga tarifa local para falar com a capital. Já a ligação entre Confins e Belo Horizonte é cobrada como interurbano, o que significa no mínimo o dobro do preço por minuto. O segurança Paulo Henrique Santos mora em Vespasiano e paga R$ 80 de telefone fixo por mês. Com esse valor, ele faz todas as ligações locais, incluindo chamadas para amigos na capital. "Se tivesse que pagar DDD (longa distância), pesaria muito", diz. Na vizinha Confins, a dona de casa Elaine Gazzinelli Brito não tem a mesma sorte. A mãe e a filha dela moram em Belo Horizonte e o marido trabalha na capital e falar com eles significa pagar caro. A conta mensal costumava chegar aos R$ 300 até que ela tomou uma decisão radical: bloqueou a linha para ligações de longa distância. "Agora, só falo com eles o essencial e ligo a cobrar. É ruim, porque a despesa foi para outras pessoas", afirma. A situação da irmã dela, a artesã Sheila Gazzinelli Nogueira, que também mora em Confins, é ainda mais complicada. Além da família, ela tem clientes em Belo Horizonte e não pode deixar de fazer os interurbanos. "Também não posso esperar o horário mais barato, tem que ser no horário comercial mesmo", reclama. Para reduzir as despesas, ela aproveita promoções das operadoras de celular. Com isso, a conta fixa mensal caiu de mais de R$ 200 para cerca de R$ 120. "Acho um absurdo. Belo Horizonte é um pulo daqui", afirma. Em Minas Gerais, o minuto local custa R$ 0,094, valor estipulado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O órgão também define um teto para as ligações interurbanas. Mas, graças à concorrência, as operadoras oferecem descontos. Mesmo assim, o preço mais baixo no horário normal é R$ 0,188. O valor varia também conforme a operadora, a distância e o horário (diferenciado, reduzido, super reduzido ou normal). Na Grande Belo Horizonte, nove cidades pagam tarifa local para falar entre si. Além da capital e de Vespasiano, estão na lista Betim, Contagem, Ibirité, Nova Lima, Ribeirão das Neves, Sabará e Santa Luzia.



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