CFF VOLTA A PEDIR MUDANÇAS NO MODELO DE FARMÁCIAS


14/02/2008

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) voltará a se reunir com as autoridades sanitárias brasileiras, para tratar da necessidade de alteração do modelo vigente de farmácias e drogarias. O órgão entende que o atual modelo farmacêutico é "pernicioso" para sociedade e para o sistema público de saúde. "As farmácias passaram por um perigoso processo de mercantilização, que transformou o medicamento numa mercadoria qualquer. O problema torna-se mais grave, ainda, por causa de um outro componente negativo neste contexto: muitos estabelecimentos não mantêm o farmacêutico presente, deixando o usuário do medicamento à míngua dos seus serviços profissionais", denuncia o Presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos. Há muito que o Conselho Federal de Farmácia vem alertando as autoridades para o fato de os estabelecimentos farmacêuticos estarem cada vez mais identificados como comércio. "É um modelo arcaico, nutrido por interesses econômicos e financeiros, que submeteram as farmácias e drogarias às regras de mercado, como se um mercado fosse, quando são estabelecimentos de saúde sujeitos às leis sanitárias", observa Dr. Jaldo de Souza Santos. Segundo ele, o modelo farmacêutico brasileiro transformou o usuário do medicamento em um consumidor; as farmácias em mercearias, e os medicamentos em mercadorias. Souza Santos declarou que o modelo "apodreceu". O CFF denuncia, ainda, que o grande número de estabelecimentos farmacêuticos, no País (são cerca de 70 mil) é "exagerado". De acordo com o Diretor Tesoureiro do CFF, Edson Taki, os estabelecimentos disputam o cliente com procedimentos como o aumento do "mix" de produtos atípicos ou não autorizados, a exemplo de sandálias havaianas, sorvetes, refrigerantes, carvão vegetal e até bebidas alcoólicas. "Na concorrência, esses estabelecimentos irresponsáveis fazem de tudo para ganhar o cliente", acrescenta Taki. O dirigente do CFF adverte que, ao atrair uma pessoa com a promoção de sandálias ou sorvetes, por exemplo, os estabelecimentos farmacêuticos acabam induzindo-a a adquirir um medicamento, muitas vezes, sem necessidade alguma. "Isso reforça o uso irracional do medicamento", declara Dr. Edson Taki. PROPOSTA - O CFF vai pedir que o modelo seja substituído por outro que contemple as questões de saúde. Por exemplo, o Conselho vai defender que as farmácias, em cumprimento à Lei 5991/73, só funcionem, se o farmacêutico estiver presente para prestar os seus serviços, como a orientação ao paciente. "Os serviços farmacêuticos diminuem os riscos relacionados ao uso do medicamento e assegura a adesão do paciente ao tratamento", salienta o Presidente do Conselho. O CFF propõe um modelo que transforme as farmácias em centros auxiliares do SUS (Sistema Único de Saúde), onde possam ser realizadas campanhas, como vacinação e as educativas. Seria o espaço para a prática da atenção primária, com programas voltados ao controle da diabetes, da hipertensão e de outras doenças. Em sua proposta, o Conselho pedirá que os estabelecimentos comercializem exclusivamente medicamentos e outros produtos para a saúde. O Conselho recomenda, também, que as farmácias tenham uma sala para o farmacêutico atender ao paciente. "A sociedade brasileira está deixando de se beneficiar dos serviços que as farmácias e os farmacêuticos deveriam prestar. Os resultados disso estão, aí: aumento do uso irracional dos medicamentos, abandono do tratamento pelos pacientes, filas nos hospitais em decorrência de pequenos problemas que poderiam ser resolvidos nas farmácias pelos farmacêuticos etc.", destaca o Presidente Jaldo de Souza Santos. Ele observa que o farmacêutico brasileiro vive um momento profissional "luminoso", marcado pela busca do conhecimento e da qualificação. "Sem a orientação do farmacêutico ao paciente, o produto não alcança a sua condição de medicamento, ficando reduzido à condição de matéria química que pode até se tornar um tóxico letal", conclui. Vale salientar que, no Brasil, o uso do medicamento é responsável pela maior parte do percentual de intoxicações.



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