CAFÉ PROTEGE O FÍGADO


09/04/2008

Um estudo desenvolvido no Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras (Ufla), no Sul de Minas, em parceria com a Universidade Federal de Alfenas, concluiu que o café pode atuar no combate ao envelhecimento, doenças cardiovasculares e contra o câncer, além de ter efeito protetor sobre o fígado. A pesquisa, que durou um ano e meio, provou que o café tem alto poder antioxidante, sendo capaz de eliminar os radicais livres – compostos que provocam doenças no organismo – e tem importante ação protetora a danos hepáticos, como a cirrose. De acordo com a nutricionista Sheila Andrade Abrahão, doutoranda da Ufla e autora da pesquisa, sob orientação de Rosemary Pereira, o trabalho propôs avaliar justamente esse poder de seqüestrar os radicais livres (responsáveis também pelo envelhecimento da pele e por doenças como as cardíacas) e a proteção que a bebida poderia dar ao fígado. “O resultado é uma ótima notícia para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, pois as doenças hepáticas e as provocadas pelos radicais livres estão entre as maiores causas de internação e mortes atualmente. No entanto, o café, assim como outros alimentos, não deve ser consumido por quem sente algum tipo de desconforto depois da ingestão. Se a pessoa fica mais estimulada, elétrica, com palpitações, ou ate mesmo insônia, não deve consumir a bebida”, observa. A nutricionista ressalta também que, para o ser humano, o ideal é não consumir café depois de grandes refeições, como almoço e jantar, pois a bebida tem a capacidade de impedir a absorção de alguns minerais importantes para a saúde, como o cálcio e o ferro. Para chegar à conclusão do estudo foram feitos testes in vitro e com animais. “Em todos os experimentos foram usadas bebidas preparadas no momento do uso, seguindo a mesma rotina que uma dona-de-casa tem ao preparar o café, com coador de papel a temperatura de 90 graus”, explica Sheila. Nos testes de proteção ao fígado, foram usadas, no ensaio com os animais, ratas adultas (Rattus norvegicus), pesando 20 gramas cada, obtidas do Biotério da Universidade Federal de Alfenas (Unifal). Em dois grupos foi injetada uma substância química – tetracloreto de carbono – para causar um dano no fígado, pois, só assim, seria possível avaliar a real ação protetora do café no órgão. Os animais foram divididos em três grupos de oito animais cada, sendo que o primeiro não recebeu nada e permaneceu com o fígado normal, para que pudesse ser comparado com os outros; o segundo recebeu água e tetracloreto de carbono; e o grupo 3, café e tetracloreto de carbono. A dose usada de café correspondeu ao consumo humano de cinco xícaras de 50ml da bebida e foi dada uma única vez ao dia. O teste com os animais durou 30 dias. “O grupo que recebeu a água e o tetracloreto teve o fígado todo prejudicado (como esperado, devido à ação da substância; já no grupo que estava tomando café, o fígado permaneceu saudável, ou seja, o café mostrou-se uma bebida hepatoprotetora”, define a pesquisadora. Nos testes de laboratório foi testada a capacidade do café em capturar radicais livres, ou seja, sua atividade antioxidante. Com os resultados positivos foi possível concluir que o café apresenta importante efeito antioxidante, podendo evitar diversas doenças causadas por oxidações biológicas. Questionada sobre o fato de que a cada dia uma pesquisa elege ou condena um alimentou ou bebida, alegando que é ótimo e, no dia seguinte, faz mal à saúde, a cientista concorda e diz que a população precisa ter uma certa cautela. “As pessoas devem ter uma leitura crítica sobre essas informações sempre, observando de onde elas vêm e se são de fonte realmente confiável.”



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