À caça de jovens talentos


17/09/2014

Empresas abrem processos seletivos para contratação de trainees com desafio de manter os profissionais no quadro de funcionários. São 600 vagas ofertadas no país

 

Está aberta em todo o país a temporada de caça a jovens talentos. Neste momento, pelo menos 50 programas para contratação de trainees estão recebendo inscrições de candidatos do Norte a Sul do Brasil. Na grande indústria, setor com forte presença nos processos seletivos, a busca por um modelo de gestão voltado para a produtividade e eficiência está ligado também à capacidade de formar profissionais. Espécie de acervo precioso, a ideia é que essa mão de obra esteja pronta para atuar em todas as áreas de uma indústria, dos processos produtivos à presidência. Para isso, os programas trazem, a cada ano, teor inovador e os investimentos chegam a atingir R$ 300 mil por profissional, segundo levantamento da Selpe, consultoria em Recursos Humanos.

Com salários médios em torno de R$ 5 mil para oito horas diárias de trabalho, os programas se tornam tão ou mais disputados que os vestibulares para universidades públicas. A Usiminas, maior fabricante de aços planos da América Latina, lançou recentemente seu Programa de Jovens Profissionais. O modelo de trabalho adotado é inovador e pretende formar profissionais com visão ampla e integrada dos diversos processos da atividade fabril, permitindo que os trainees tenham experiência na usina, mas também na área de qualidade, comercial e logística. De 16 mil inscritos, foram selecionadas 70 pessoas entre economistas, administradores e principalmente engenheiros.

O processo de seleção acabou de ser concluído e o programa de treinamento iniciado na última semana será estruturado em cinco anos, em temas como planejamento, processos industriais, logística, vendas, custos, RH e gestão, sendo dois anos pelo programa Jovens Profissionais e mais três anos de treinamentos complementares. Para cada participante, são planejadas duas rotações semestrais, principalmente em áreas comerciais e industriais. Conhecedores do panorama global da empresa, os jovens talentos vão desenvolver habilidades nas áreas administrativa, industrial e comercial, garantindo formação ampla. No projeto Jovens Profissionais, a companhia está investindo R$ 12 milhões, o que inclui treinamentos e também custos com salários.

A abertura do programa da companhia na última quarta-feira foi feita pelo presidente da Usiminas, Julián Eguren. Em sua aula inaugural aos jovens profissionais, Eguren lembrou que ele próprio iniciou há 25 anos sua carreira enfrentando desafios parecidos com aqueles que se desenham para os novos contratados da Usiminas. Segundo o executivo, o projeto da companhia é de longo prazo. A intenção é que ao fim do projeto, os 70 contratados permaneçam na empresa. “No passado já foi comum o profissional trabalhar muitos anos em uma mesma área. Hoje existe um trânsito muito maior.” O formato do programa, segundo o executivo, responde as expectativas da empresa no seu desenvolvimento de processos eficientes, mas também é chave para reter a mão de obra. “Nossa expectativa é que a Usiminas não precise buscar profissionais no mercado, que da própria empresa possa sair seus futuros líderes.”

DESAFIO Robson Barbosa, diretor de operações e especialista em RH do Grupo Selpe, aponta que a retenção de talentos é um desafio para as corporações e a estratégia de inovar nos processos de formação é um passo importante para a empresa manter em seu quadro o profissional que formou. “As companhias esperam do candidato foco no trabalho e em resultados, capacidade para interagir em diversas áreas, flexibilidade e disponibilidade para mudanças.” Segundo Barbosa, o segundo semestre é de alta temporada para os processos seletivos, que aumentam a oferta em cerca de 50%. Ele estima que, em todo o país, pelo menos 600 vagas estão abertas para trainees em diversas áreas do conhecimento.

Formado na Universidade Federal de Ouro Preto, o engenheiro metalúrgico Pedro Leles, de 24 anos, foi aprovado no processo seletivo da Usiminas depois de quatro meses e muitas etapas vencidas. “Garra e disposição” é como ele define seu estado de espírito para participar do programa. Leles classifica o mercado como muito competitivo e destaca a qualidade do processo seletivo. Carolina Oliveira, de 22, também foi aprovada. Formada em engenharia mecânica, ela saiu de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, e está preparada para os desafios. Feliz pela conquista, Carolina está focada no trabalho. “O nosso esforço é para trabalhar com excelência na qualidade e com o menor custo.”

 

Oportunidade de crescimento

 

O Programa de Trainee da Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) encerra hoje as inscrições para o processo seletivo com jovens que tenham até dois anos de formados. Mariana Engelman, gerente de recrutamento e seleção da companhia, é também responsável pela seleção e diz que, no ano passado, foram cerca de 70 mil inscritos e 20 contratados ao final da última etapa.

Segundo a especialista, uma vez selecionados, os trainees passam por programa de formação com duração de dez meses, o que inclui passagens pelos diversos setores da fábrica, da produção a vendas, culminado com treinamento nos Estados Unidos onde são reunidos 160 trainees de todo o mundo. “A inovação é vivenciada pelo jovem profissional em todos os nossos processos, começando já pela seleção.”

Formada em jornalismo pela PUC Minas, Isabela Martins, de 24, foi uma das selecionadas no processo anterior da Ambev. Como trainee na empresa, ela já passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e, na Copa do Mundo, trabalhou na operação da Ambev no Mineirão. “Foi um processo muito rico”, conta. Apesar de fazer parte da chamada geração Y, famosa pela inquietude no mercado de trabalho, Isabela diz que pretende focar sua carreira na companhia. “Estou muito feliz. A empresa possibilita o trabalho em áreas diversas como marketing, vendas, atividade fabril. Conseguimos ter aqui muitos desafios.” (MC)

 

 



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